quinta-feira, 27 de março de 2008

O disco da minha infância

Na salinha onde todos parávamos para descansar. Logo à entrada de casa, apertávamo-nos todos entre os sofás e ouviam-se conversas, planos de barbecue junto à piscina, jogos de cartas, bilhar, pesca e papagaios ao vento.

Não havia televisão nesta sala (excepto nas alturas em que a lá colocávamos por iniciativa), mas havia um gira-discos velho, acompanhado por um par de vinis que restavam para dar uso ao aparelho. Um deles era o nosso preferido, azul coberto por corações vermelhos, quase palpitantes, já demasiado pirosos para alguns de nós.

E mais uma vez, experimentávamos pô-lo a tocar:


domingo, 23 de março de 2008

People Press Play - These Days



These days go fast enough.

terça-feira, 11 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

De volta

Fui a casa por duas semanas e estou nova. Vi o Sol de novo, comi boa comida e abracei boa gente alegre e faladora.

Espírito leve e positivo, como aquela que costumava ser. Agora só preciso lutar um bocadinho para me manter assim por mais uns tempos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Berlinale!


É a cidade certa no momento certo. Sendo eu a já conhecida viciada em cinema, não podia haver melhor forma de matar a irritação do frio de Fevereiro do que a 58ª edição do Berlinale. Uma quantidade imensa de filmes a serem projectados ao mesmo tempo deixa-me perdida e ansiosa entre as páginas da programação.

E o movimento agitado nos vários locais onde se passa o festival. Caminhamos na rua à procura de uma bilheteira que não sabemos onde é, e de repente ouvimos gritos de êxtase e flashes de uma centena de fotógrafos que se apressam a tirar uma foto decente. Corremos porque não queremos perder pitada, mas graças à nossa altura tão ibérica comparada com as das pessoas que lá se encontravam, não conseguimos ver nada. Era a Madonna e só conseguimos ver o carro. De qualquer forma, o ambiente animado de pessoas curiosas e de fotógrafos infinitamente à espera é algo a que não estou habituada.

E lá fomos ao cinema - não tivemos direito a tapete vermelho, mas já fico de sorriso largo quando me sento na cadeira e um novo filme começa. Poder falar com os realizadores mais amadores, ter um contacto mais próximo com o cinema, poder matar o meu vício à vontade. Bem, à vontade não é mesmo, custa algum dinheiro e é preciso escolher bem. Ou um tiro no escuro e depois vê-se o que sai. Ontem correu bem, com "La Rabia", de Albertina Carri. Agressivo, mas vale.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

De dar e ficar contente

Tenho saudades de falar Português. Dou comigo a pensar em Inglês ou Alemão e apetece-me dar uma chapada a mim mesma, nessas alturas. Faço um esforço para pensar na minha língua, porque só a uso ao telefone, para falar com os amigos e a família. E fora disso parece chinês, fico a pensar que sou um génio porque falo uma língua que mais ninguém fala por perto.

Dói-me a cabeça por causa deste esforço. Tenho saudades de ser eu própria, euzinha com pronúncia do norte e os trocadilhos que tanto gosto de fazer. Se hoje em dia falo português com alguém directamente, tenho que abrir a pronúncia, para ser perceptível a alguém que aprendeu no Brasil.

Tenho saudades de Pessoa, de Fado, de Camões, d'"Uma casa portuguesa", de arroz de feijão com pataniscas feito pela minha mãe, do mar e do cheiro dele, do sol luminoso, do pequeno-almoço de domingo com os meus pais, de ler o jornal escrito em Português, das pessoas que gosto tanto, de uma bela francesinha.

E não deixo de me orgulhar de ser quem sou. De falar muito, ser sincera, e de dar e ficar contente, de abraçar muito e dizer às pessoas que gosto delas quando assim o é.

Mas vá, viver longe significa aprender a ser duro. A chorar e continuar em frente. Também se cresce assim.

Es wird besser.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Fugi e corri o mais que pude. Empurrada pelo vento, este levantou-me no ar, e lentamente corri no vazio do céu. A única coisa que ficou para trás foi o meu coração. E o olhar, apoiado na incerteza de que esta vontade impulsiva de fugir foi o mais certo a fazer.

Corro, corro até alcançar uma montanha, cuja concessão de invisibilidade deixa o meu mundo oficialmente para trás. O meu primeiro instinto é de alegria pelo primeiro obstáculo ultrapassado. Uma vez deixado o mundo para trás, ficaria mais fácil continuar a correr e encontrar um novo começo. Onde a minha esquizofrenia me deixe em paz, concordando que este novo poiso é harmónico com a minha forma de ser.

O meu êxito é subitamente interrompido pelo telefone estridente. Quero deixá-lo tocar e tocar até desistirem, não me apetece falar com ninguém. Quero fechar os olhos e tapar os ouvidos, bloquear-me do que me rodeia, excepto da música que me ajuda. Mas quem será?, pergunto-me. Corro e decido atender no último momento.