terça-feira, 11 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
De volta
Fui a casa por duas semanas e estou nova. Vi o Sol de novo, comi boa comida e abracei boa gente alegre e faladora.
Espírito leve e positivo, como aquela que costumava ser. Agora só preciso lutar um bocadinho para me manter assim por mais uns tempos.
Espírito leve e positivo, como aquela que costumava ser. Agora só preciso lutar um bocadinho para me manter assim por mais uns tempos.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Berlinale!

É a cidade certa no momento certo. Sendo eu a já conhecida viciada em cinema, não podia haver melhor forma de matar a irritação do frio de Fevereiro do que a 58ª edição do Berlinale. Uma quantidade imensa de filmes a serem projectados ao mesmo tempo deixa-me perdida e ansiosa entre as páginas da programação.
E o movimento agitado nos vários locais onde se passa o festival. Caminhamos na rua à procura de uma bilheteira que não sabemos onde é, e de repente ouvimos gritos de êxtase e flashes de uma centena de fotógrafos que se apressam a tirar uma foto decente. Corremos porque não queremos perder pitada, mas graças à nossa altura tão ibérica comparada com as das pessoas que lá se encontravam, não conseguimos ver nada. Era a Madonna e só conseguimos ver o carro. De qualquer forma, o ambiente animado de pessoas curiosas e de fotógrafos infinitamente à espera é algo a que não estou habituada.
E lá fomos ao cinema - não tivemos direito a tapete vermelho, mas já fico de sorriso largo quando me sento na cadeira e um novo filme começa. Poder falar com os realizadores mais amadores, ter um contacto mais próximo com o cinema, poder matar o meu vício à vontade. Bem, à vontade não é mesmo, custa algum dinheiro e é preciso escolher bem. Ou um tiro no escuro e depois vê-se o que sai. Ontem correu bem, com "La Rabia", de Albertina Carri. Agressivo, mas vale.
E o movimento agitado nos vários locais onde se passa o festival. Caminhamos na rua à procura de uma bilheteira que não sabemos onde é, e de repente ouvimos gritos de êxtase e flashes de uma centena de fotógrafos que se apressam a tirar uma foto decente. Corremos porque não queremos perder pitada, mas graças à nossa altura tão ibérica comparada com as das pessoas que lá se encontravam, não conseguimos ver nada. Era a Madonna e só conseguimos ver o carro. De qualquer forma, o ambiente animado de pessoas curiosas e de fotógrafos infinitamente à espera é algo a que não estou habituada.
E lá fomos ao cinema - não tivemos direito a tapete vermelho, mas já fico de sorriso largo quando me sento na cadeira e um novo filme começa. Poder falar com os realizadores mais amadores, ter um contacto mais próximo com o cinema, poder matar o meu vício à vontade. Bem, à vontade não é mesmo, custa algum dinheiro e é preciso escolher bem. Ou um tiro no escuro e depois vê-se o que sai. Ontem correu bem, com "La Rabia", de Albertina Carri. Agressivo, mas vale.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
De dar e ficar contente
Tenho saudades de falar Português. Dou comigo a pensar em Inglês ou Alemão e apetece-me dar uma chapada a mim mesma, nessas alturas. Faço um esforço para pensar na minha língua, porque só a uso ao telefone, para falar com os amigos e a família. E fora disso parece chinês, fico a pensar que sou um génio porque falo uma língua que mais ninguém fala por perto.
Dói-me a cabeça por causa deste esforço. Tenho saudades de ser eu própria, euzinha com pronúncia do norte e os trocadilhos que tanto gosto de fazer. Se hoje em dia falo português com alguém directamente, tenho que abrir a pronúncia, para ser perceptível a alguém que aprendeu no Brasil.
Tenho saudades de Pessoa, de Fado, de Camões, d'"Uma casa portuguesa", de arroz de feijão com pataniscas feito pela minha mãe, do mar e do cheiro dele, do sol luminoso, do pequeno-almoço de domingo com os meus pais, de ler o jornal escrito em Português, das pessoas que gosto tanto, de uma bela francesinha.
E não deixo de me orgulhar de ser quem sou. De falar muito, ser sincera, e de dar e ficar contente, de abraçar muito e dizer às pessoas que gosto delas quando assim o é.
Mas vá, viver longe significa aprender a ser duro. A chorar e continuar em frente. Também se cresce assim.
Es wird besser.
Dói-me a cabeça por causa deste esforço. Tenho saudades de ser eu própria, euzinha com pronúncia do norte e os trocadilhos que tanto gosto de fazer. Se hoje em dia falo português com alguém directamente, tenho que abrir a pronúncia, para ser perceptível a alguém que aprendeu no Brasil.
Tenho saudades de Pessoa, de Fado, de Camões, d'"Uma casa portuguesa", de arroz de feijão com pataniscas feito pela minha mãe, do mar e do cheiro dele, do sol luminoso, do pequeno-almoço de domingo com os meus pais, de ler o jornal escrito em Português, das pessoas que gosto tanto, de uma bela francesinha.
E não deixo de me orgulhar de ser quem sou. De falar muito, ser sincera, e de dar e ficar contente, de abraçar muito e dizer às pessoas que gosto delas quando assim o é.
Mas vá, viver longe significa aprender a ser duro. A chorar e continuar em frente. Também se cresce assim.
Es wird besser.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Fugi e corri o mais que pude. Empurrada pelo vento, este levantou-me no ar, e lentamente corri no vazio do céu. A única coisa que ficou para trás foi o meu coração. E o olhar, apoiado na incerteza de que esta vontade impulsiva de fugir foi o mais certo a fazer.
Corro, corro até alcançar uma montanha, cuja concessão de invisibilidade deixa o meu mundo oficialmente para trás. O meu primeiro instinto é de alegria pelo primeiro obstáculo ultrapassado. Uma vez deixado o mundo para trás, ficaria mais fácil continuar a correr e encontrar um novo começo. Onde a minha esquizofrenia me deixe em paz, concordando que este novo poiso é harmónico com a minha forma de ser.
Corro, corro até alcançar uma montanha, cuja concessão de invisibilidade deixa o meu mundo oficialmente para trás. O meu primeiro instinto é de alegria pelo primeiro obstáculo ultrapassado. Uma vez deixado o mundo para trás, ficaria mais fácil continuar a correr e encontrar um novo começo. Onde a minha esquizofrenia me deixe em paz, concordando que este novo poiso é harmónico com a minha forma de ser.
O meu êxito é subitamente interrompido pelo telefone estridente. Quero deixá-lo tocar e tocar até desistirem, não me apetece falar com ninguém. Quero fechar os olhos e tapar os ouvidos, bloquear-me do que me rodeia, excepto da música que me ajuda. Mas quem será?, pergunto-me. Corro e decido atender no último momento.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
A moeda caída que gira no chão.
O sapato desconfortável cuja teimosia foi derrotada por ela, depois de uma semana de uso constante. Agora experimenta-o com gosto e um sorriso largo de quem não se deixa vencer.
O prato vazio, o garfo sujo. O esquecimento do que foi antes disso. Talvez nada, talvez outra vida de manjares e vozes. De conversas à sombra, na berma do sol quente. Do céu estrelado, em brisa calma que nos abraça.
E eu sentada. Queria fugir, como antes, mas estou à espera. Estou à espera que repare que cresci, que sou nova, e que ainda estou cá. Que já não sou a menina impaciente de outros tempos, de quem queria tudo perfeito ou nada, e se era nada, desejava aos ventos que a levassem para longe, num dia de ocaso cintilante. Deixaria-se voar de braços abertos, só ao som da brisa, sem esperanças de retorno, sem memórias de tempos de embaraço porque não teve o que quis.
Agora sabe esperar, sabe que as coisas não são perfeitas e prefere o caminho difícil - diz que assim sabe muito melhor. É mais feliz agora, mas receia que o vento já não a leve. Já foi tempo de o ser assim, agora é crescida. Arranjará outras curas para as dores de ilusão.
O sapato desconfortável cuja teimosia foi derrotada por ela, depois de uma semana de uso constante. Agora experimenta-o com gosto e um sorriso largo de quem não se deixa vencer.
O prato vazio, o garfo sujo. O esquecimento do que foi antes disso. Talvez nada, talvez outra vida de manjares e vozes. De conversas à sombra, na berma do sol quente. Do céu estrelado, em brisa calma que nos abraça.
E eu sentada. Queria fugir, como antes, mas estou à espera. Estou à espera que repare que cresci, que sou nova, e que ainda estou cá. Que já não sou a menina impaciente de outros tempos, de quem queria tudo perfeito ou nada, e se era nada, desejava aos ventos que a levassem para longe, num dia de ocaso cintilante. Deixaria-se voar de braços abertos, só ao som da brisa, sem esperanças de retorno, sem memórias de tempos de embaraço porque não teve o que quis.
Agora sabe esperar, sabe que as coisas não são perfeitas e prefere o caminho difícil - diz que assim sabe muito melhor. É mais feliz agora, mas receia que o vento já não a leve. Já foi tempo de o ser assim, agora é crescida. Arranjará outras curas para as dores de ilusão.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)
